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Mulher de Fases ◯ ◑ ● ◯

  Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências: desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem.— Caio Fernando Abreu.   

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2021-01-15 04:24:35
    nobroke

    “Puxe meu quadril, morda meu queixo, bagunce meus cabelos, esfregue seu peito em minhas costas… Toque minha lombar, aperte minhas vértebras, me dê a mão, respire perto de mim, me faça rir, um omelete, um cafuné no sofá. Não sou uma floresta intocada. Sou uma mulher novamente virgem minutos depois que sua mão me abandona. Deguste meus cheiros, fareje meus gostos, beije minhas cores.”

    Gabito Nunes.

    versificar

    “Às vezes a saudade é tão grande que nem é mais um sentimento. A gente é saudade. É viver para encontrar o olhar da pessoa em cada improvável esquina, confundir cabelos, bocas e perfumes, sorrir com os lábios tendo o coração sufocado. Porque mesmo a saudade sendo feita para doer, às vezes percebemos que ela é o meio mais eficaz de enxergar o quanto amamos alguém, no passado ou no presente.”

    Gabito Nunes.  

    trancar

    “Nós mudamos e ainda bem que isso acontece. Algo que era uma montanha hoje percebo que não passou de um grão de areia. Amigos que me esforcei pra agradar devido a minha carência afetiva hoje simplesmente não olham na minha cara, e o mais surpreendente é que o erro foi meu de acreditar e confiar em pessoas erradas. O oceano em que antes eu me afogavas hoje se transforma em um copo d'água diante dos meus olhos. Quando jovens damos importância a tantas coisas que hoje não tem valor nenhum. Aumentamos a dor, amplificamos o sentimento, e te pergunto pra quê?”

    — Leandro S. 

    inverbos

    “Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade de um filho que estuda fora. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas.”

    Tati Bernardi.