"Assim como água reflete o rosto, o coração reflete quem nós somos." Provérbios 27:19

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2019-07-01 22:53:47

    “As pessoas repetem cada coisa. Belchior morreu. Tão dizendo por aí. Morreu nada. Belchior não morre, não morreu, nem vai morrer. E quem disser que morreu, espero que traga provas mais concretas que um atestado de óbito, que não passa de tinta no papel, ou que um corpo no caixão, que não passa de osso e de carne, ou os pelos de um bigode seco, que não passam dos pelos de um bigode seco. Belchior morreu. Loucura. Tenho a impressão de que não só Belchior não morreu, como o contrário disso: ele deu uma volta no tempo, e, quanto mais o tempo passa, mais o Belchior rejuvenesce. Quanto mais o tempo passa, mais aquele bigode preto cresce. Quanto mais o tempo passa, mais esquisita e maravilhosa aquela voz que vem de baixo da terra soa. Não ouvi nem metade do quanto gostaria das músicas dele. Não ouvi nem metade do quanto as músicas dele mereciam ser ouvidas. Mas comemorei meu primeiro cachê de verdade num sebo em São Paulo comprando um disco raro chamado Alucinação. Quando ouvi o disco, e ouvi de novo, e depois ouvi mais uma vez, lembro de pensar, com essas palavras mesmo, que o Belchior não ia morrer nunca. Lembro de ficar pensando no que leva um sujeito desse tamanho de talento a fugir do que a gente costuma chamar de vida, e de lembrar que nos meus quinze anos, meu sonho era arranjar uma casinha do meio do mato e viver em paz tentando uma outra forma de viver, e entender que talvez ele tivesse lá bons motivos pra escolher a vida que escolheu. Lembro de ficar intrigado com uns versos que dificilmente outra pessoa escreveria. Revólver cheira cachorro. Quem escreve Revólver cheira cachorro? Belchior morreu. Morreu nada. A qualquer momento que você quiser dá pra encontrar com o Belchior, mais vivo, mais rejuvenescido, o bigode maior e mais preto, a voz mais esquisita e maravilhosa, vinda ao mesmo tempo de lugar nenhum e de todos os lugares, de baixo da terra, de dentro do peito, do fundo da memória, do alto do céu. Belchior morreu. Mentira. Ele tá bem aqui.”

    <> Rubel

    “Depois de um bom sexo: O silêncio se faz presente, o sorriso nos aborda, o olhar nos entrega e nos comunica, o ideal depois de um bom sexo é ficar abraçado, assistir a um filme romântico e não deixar o calor do momento passar, pois se ele permanecer acredito que ele nunca mais irá se apagar.”

    — Diário Erótico.

    Aos meus heróis

    “Faz muito tempo que eu não escrevo nada, acho que foi porque a TV ficou ligada.
    Me esqueci que devo achar uma saída e usar palavras pra mudar a sua
    vida.

    Quero fazer uma canção mais delicada, sem criticar, sem agredir, sem dar pancada, mas não consigo concordar com esse sistema e quero abrir sua cabeça pro meu tema.

    Que fique claro, a juventude não tem culpa. É o eletronic fundindo a sua cuca.
    Eu também gosto de dançar o pancadão, mas é saudável te dar outr
    a opção.

    Os meus heróis estão calados nessa hora, pois já fizeram e escreveram a sua história.
    Devagarinho vou achando meu espaço e não me esqueço das riquezas do
    passado.

    Eu quero <>"a benção” de Vinícius de Morais, o Belchior can<>tando “como nossos p<>ais”, e “se eu quiser falar com…” Gil s<>obre o Flamengo, “O que será” que o nosso Chico tá escrevendo?

    Aquelas <>“rosas”<> já “não falam” de Cartola e<>do Cazuza “te pegando na escola”.
    To com saudades de Jobim com seu piano, do Fáb<>io Jr. Com seus
    20 e poucos anos”.

    Se o Renato teve seu <>“tempo perdido”, o Rei Rob<>erto “outra vez” o mais qu<>erido.
    A “agonia” do Oswaldo Montenegro ao ver que a porta já não tem mai
    s nem segredos.

    Ter tido a <>“sorte” de escutar o Taiguar<>a e “Madalena” de Ivan Lins, beleza rar<>a.
    Ver a “morena tropicana” do Alceu, Marisa Mon<>te me dize
    <>ndo “beija eu”

    Beija eu, Beija eu Deixa que eu seja eu
    Beija eu, beija eu deixa qe eu seja eu

    O Zé Rodrix em sua<> “casa no campo” levou Geraldo pra canta<>r no “dia branc<>o”.
    No “chão de giz” do Zé Ramalho eu escrevi, eu vi Lulu, Benjor, Tim M
    aia e Rita Lee.

    Pedir ao Beto um novo <>“sol de primavera”, ver o Toquinho retocand<>o a “aquarela”,
    Ouvir o<> Milton “lá no clube da esquina” cantando ao lado da rainha
    Elis Regina.

    Quero <>sem lenço e documento” o Caetano, o Djavan mostrando a c<>or do ocean<>o”.
    Vou “caminhando e cantando” com o Vandré e a outra vid<>a, Gonzagu
    <>inha, “o que é?”

    Atenção DJ faça a sua parte: não copie os outros, seja mais “smart”.
    Na rádio ou na pista mude a seqüência, mexa com as pessoas e com a c
    onsciência.

    Se você não toca letra inteligente, fica dominada, limitada a mente.
    Faça refletir DJ, não se esqueça, mexa o popozão, mas também a c
    abeça.“