@explorador-do-infinito
Vazio & Infinito

Navego nos mares turbulentos da minha própria alma —H

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2020-03-11 01:38:46

    Tarde Quente no parque

    Piquenique de criança,

    Brincadeira, diversão e folia,

    Lagoa, pipa e pipoca,

    Passeio, ar livre.

    Mãos trêmulas.

    Risada de brincadeira, diversão e folia,

    Sol, árvores e gente. Muita gente.

    Balança o frasco. Toma um comprimido.

    Ele me estende a mão, diz "foca"

    Que é para ele ser o centro da minha atenção,

    E é,

    Ou é gente correndo, criança brincando, se divertindo na folia?

    Camuflo entre o banquete, entre as frutas pego mais um.

    Que divertido, quanta risadaria

    De quantas mais pessoas,

    E quantas mais crianças, que correm,

    Na brincadeira ou na folia?

    E focar nele, ele diz, eu foco.

    Camuflo entre o banquete, me apego à mais um.

    Lagoa, e sol, e pipa, e pipoca

    Brincadeira, diversão e folia, mas muito perto

    Correria, mas muito perto

    Muita gente, mas mu...

    E foco no que ele fala, ele está falando.

    Engulo, consumo, mais um, mais outro.

    Criança griatando, folia?

    Gente, muita gente, que ri. De quem?

    Lagoa, sol, pipa e pipoca, que tanto!

    Que tanto é o que ele diz, o que diz?

    Presta atenção, presto. Presto?

    Não tento esconder, pego, uso, engulo, consumo, tomo. Outro, mas é só o segundo, terceiro?

    Advertência. Ele diz e você não faz, mas fez.

    Ele diz que não pode fazer, não posso e faço, não fiz.

    Ele diz, mas correm tão perto.

    E brincam tão perto, e falam e riem, tão perto de mim. De mim?

    Bola, pipa, pipoca, sol e lagoa.

    E quem se importa quando eu estou fazendo? Ele. Eles. Outros. Gente. Criança. Se olham eu tomo, eu viro, o frasco, o pote, mais muitos, mais muitos, consumo.

    Ele já disse, não pode. Tenho que prestar atenção,

    Deve ser algo fofo, comovente, afinal é porque me trouxe aqui. Por que me trouxe?

    Tem gente que diz e sabe que fala, fala de mim

    Criança correndo por cima, por dentro de mim

    E caíram no lago? Machucaram com a bola, com a pipa, e a pipoca?

    O sol igualmente mortífero.

    São vocês, são quem me matam.

    E Foda-se a atenção, agora, ainda, depois de um só e de muitos outros, como ainda não fizera efeito? Eu viro e acaba. É a razão do meu fumo, do trago, da ingeção, da bebedeira, das insonia, da tortura, da automiltilação, da autosabotagem, do meu tão alto silêncio. Que não funcionam.

    Ele diz e o meu humor é fervente,

    Eu faço, embora contrário ao remédio, a droga, me irrito

    Esbravejo e digo,

    Então ele vai embora,

    Gente olhando, logo fogem

    Criança da folia divertida que deu origem a brincadeira, choram.

    Acabou lago, pipoca, pipa, sol e bola

    Acabou.

    Começou por do sol, fim do dia.

    A anestesia me deixa tão calminho.

    —H.

    Sinopse

    A noite esvazia e agarra minha pele ao lençol,

    Amarga a dor de chorar

    No calor do momento, no silêncio pós festa

    Sente a noite, para que vazio, sinta-se.

    E diga que me amas pelo telefone,

    Antes que acabe a energia.

    Nos conhecemos numa overdose

    Depois do sexo fatigado, nada dissemos um ao outro.

    Tínhamos entre nós a distância de anos

    E também de desencontros

    Finjo, logo se torna verdade: juro que não te vi do outro lado da rua

    Juro, uma vez segurei tuas mãos, mas ainda juro

    Uma outra boca vem a mim e te apresenta,

    A tua boca, essa sim já tinha beijado.

    Minha vontade, quando me ligou pelo telefone:

    Me faz rir, me faz virar a face que nunca sou eu.

    E numa fala cansada, deixei de falar

    E tudo que ia fazer, seguei

    Eu choro, e é calado para que não me ouças.

    Quero que volte a dizer, quero que volte então talvez eu diga

    Chama-me, apague a luz, peça-me para te tocar

    No meu quarto, sozinho, atendo a chamada de telefone

    Cortam-se os fios no estouro de energias.

    E você sai sem me amar.

    —H.

    Solidão

    Lembra daquela vez que almoçou sozinho hoje?

    Ou da vez que foi ao cinema por si só?

    Não há nada de errado em viver sozinho,

    Mas o problema é não gostar da própria companhia.

    Eu bem sei que, apesar do temperamento quente, você é mal interpretado

    Eu bem sei quantas vezes, na sua inquietude,

    Deixou que se sentisse insignificante,

    Deixou que qualquer outra palavra te soterrar,

    Eles te pisotearam.

    Eu, que sou você, muito bem sei quem você é

    E muito bem sei do que você precisa.

    Se eu pudesse mudar, para ser pra você,

    Uma companhia boa o suficiente para mim

    Já não seria só,

    Contudo, já não teria mais a mim.

    muito embora sejas toda minha alegria, não me alegra a aliança desta noite;

    irrefletida foi por demais, precipitada, súbita, tal qual como o relâmpago que deixa de existir antes que

    dizer possamos: Ei-lo! brilhou! Boa noite, meu querido. Que o hálito do estio amadureça este botão de

    amor, porque ele possa numa flor transformar-se delicada, quando outra vez nos virmos.

    <>Romeu & Julieta: Cena 2 Ato 2

    O mundo

    Crescemos;

    Dentro de uma caixa pequena, com buracos para luz

    Crescemos sendo grandes demais para a caixa

    Pequenos demais para o mundo.

    A enorme montanha se erguendo sob os nossos pés

    Jamais nos deixou saber o que é poder,

    Crescemos pequenos.

    Dentro da bolha que crescemos,

    Crescemos maiores que outros, deixamos crescer,

    Crescemos em você, crescemos em cima de você

    Crescemos uns dentro dos outros,

    E mesmo que crescemos, ainda somos pequenos

    Por que o resto, o mundo

    Ainda é grande demais perto de nós.

    Drying

    Your face is blue

    The bottom tears of yours, are lilac.

    Your crimson lips gave up temptation

    Or does your blood covered open wounds let you loathing?

    Aren't you full of drinking green poison?

    And aren't you sick of putting on black highlighter?

    I don't mind your exaggerated laught,

    I don't mind your beaten up hands

    Though your white dust is the one thing keeping me so eerie

    I would have burned the house

    I would have ran away

    But I'm gonna stay here, with your thorny accent

    And your unfaithful rainbow shades.

    Céus Inconcretos

    Quando olhei para o céu pela última vez

    Não desviei o olhar.

    Mesmo que o último céu que eu visse

    Fosse morno, acinzentado e triste,

    Ou fosse ele um dia de sol

    Onde os gigantes das nuvens se erguem,

    Meu pudor ensolarado, minhas lágrimas que precipitam

    Teria finalmente eu, numa noite estrelada

    Numa mente intranquila,

    Achado em mim, um céu que é mais bonito do que todos aqueles que vi,

    Matizado nas palavras de uma poesia,

    Decadente.

    O Solstício

    A grande bola de fogo no céu morreu.

    A profecia da tua vida não mudou,

    A primavera deveria chegar,

    Em contrapartida, vem o frio.

    Quando o brilho das estrelas, se provou ser maior que o brilho dos teus olhos

    Soube, e você também sabia, que havia morrido.

    Teus pais compraram o mais lindo arranjo de flores,

    O cômodo todo florido de plástico,

    E bem no centro da sala estava você, morta.

    Deveríamos te deixar morrer em paz,

    Deveríamos aceitar que partiu,

    Mas deixamos todas as tuas feridas amostras

    Num jardim de mentiras

    Para que todos espalhassem suas lágrimas falsas pelo teu lugar.

    Já não brotava raízes,

    Os pássaros já não cantavam mais perto de ti,

    Te rondavam os abutres, as corujas, os morcegos.

    E todas as vezes que eu tentei te proteger, fui impedido.

    A primavera não chega mais,

    Você foi a primavera, e você está morta

    O sol não amanheceu, ele também morreu

    E agora,

    Nem as pequenas coisas que me davam o menor dos sorrisos, dão

    O meu rosto pálido continua imóvel e prestes a morrer.

    —H.

    Janela

    Cansei de ficar sábados ao ver o sol se pôr,

    E tem ficado escuro, porém não quero fecha-la

    Único contato meu com o mundo lá fora.

    Muitas felicitações aconteceram essa semana,

    Embora não fui capaz de me alegrar.

    Sabe que, não tenho mais prazer em fazer as coisas que antes costumava gostar de fazer?

    Esse ano não está sendo ruim, o problema é que ainda não vi lado bom

    A vida tem assumido um aspecto lânguido e desagradável

    A cidade que costumava ser meu refúgio, virou um lugar hostil

    Já não tenho mais aquela intimidade com as pessoas que tinha

    Cada segundo na minha respiração profunda é desgostoso.

    Olho pela janela,

    Como é livre o canto dos pássaros,

    É vivido esse odor dos pequenos incêndios,

    Também há os jovens, aqueles que se divertem e aproveitam o ápice do momento

    E eu, completamente insatisfeito.

    Triste é o fim da vida humana.

    —H.

    Tornado

    Planejamento do desastre,

    Pensei que seria coerente me autosabotar,

    Vê na orla, distante das brumas do mar,

    O sol se põe e tudo se recolhe com ele,

    Soam se os alarmes e o desespero humano,

    Humanamente meu desespero próprio e egoísta.

    Aproximasse o fim eminente,

    Não mede esforço em temer, por isso os mesmos não o temem

    O anúncio breve não possibilita o retorno,

    Não que o mesmo importasse,

    Mas naquele momento, sentiam-se completos

    Completamente vazios.

    Fecham-se os olhos, como se tivessem aceitado

    E a rota de colisão, o lugar onde vim parar

    Se aproxima desenfreadamente,

    Senti um medo intenso porém rápido,

    Se ouve uma explosão tão próxima que julgo ter sido em mim

    Se perde a capacidade de sentir...

    Se perde a capacidade...

    Se perde...

    31/12/1999 ás 23:59

    —H.

    Floração

    Pegou fogo no jardim

    Não há frutos em que se pague o preço da semente,

    Sem antes beber do sangue,

    Estancado sobre o lábio

    Em derrame sobre a sombra, sobre a rosa

    Incendeiam-se a si mesmos, o belo que valorizam, sem certeza do cultivo?

    Não, desabrocha a última lágrima do lírio

    Em repouso sobre um mar de cinzas

    Cresce, vigoroso

    Anseia o próximo fogo no jardim.

    11/04/1988.

    —H.

    Autodestruição

    Meu mundo entrou em guerra

    Quando ponho a mão no peito,

    Ouço as batidas, explosões.

    Meu cérebro foi feito de refém,

    A tortura da racionalidade

    Entre o agir e o consentir,

    Sempre que te olho e te vejo ir,

    Meu mundo novamente entra em guerra.

    Enquanto ainda resta o pensamento de desistir,

    Outro eu, dentro de mim, me pede para seguir em frente

    Fui derrubado pelo obsessão, seduzido pela automutilação

    Arde o medo que invade e mesmo assim alimento a visão contorcida do não aconteceu

    Quando imploro pela proximidade, a distância aumenta

    Quando corro em tua direção, diverges

    E ao menor dos teus atos, dificulta todos os meus planos de te fazer feliz.

    Meu mundo entrou em guerra,

    Estou suplicando por paz.

    —H.

    Meia Lua

    Não vou dizer que és a razão do meu viver

    Pois meu viver independe de só uma razão

    Talvez, a razão do meu viver seja água

    Ou comida, ou Deus, talvez o planeta terra

    Embora não sejas a razão do meu viver

    Vou afirmar enquanto eu viver,

    Cheio de ilusão, qual estou certa de que irei me arrepender

    Que neste instante, somente este

    Dedico que uma das razões do meu viver, é você.

    Por que? — Me perguntaria se soubesse

    O meio que escolho me iludir

    Tão amáveis olhos e sorriso que não esboça

    Pintam o meu imaginário

    O valer perene, enquanto a meus dias, que de nada valem

    É ficar a vê-los.

    Delírio, loucura, insanidade

    Dias ruins que se foram com a felicidade.

    A lua estava cheia quando escrevi

    E quando me vejo no espelho,

    Sou meio, metade, incompleto.

    A lua, ainda que meia, trás as cheias do mar

    Me transborda o brilho do luar

    Alerta-se aos sois, nunca houvera noite tão clara

    A fazer da escuridão meu dia.

    —H

    Finais infelizes

    Coração é orgão estúpido, baixa imunidade

    Vive enfermo de amor,

    Costumo remedia-lo com ilusão,

    A irrealidade das coisas é o que o trás maravilha

    E até a coisa mais maravilhosa tem capacidade de matar.

    No entanto, esse medicamento tem efeito contrário quando se trata do psicológico

    Corrói, apodrece e enfim fode

    Viciei

    Agora injeto direto na veia,

    Acho que meu coração parou de bombear sangue, agora ele o rejeita

    Meu corpo, minha mente, vivem todos de ilusão

    E não é pra ter dó não

    Aposto que gostam disso, a dor é só efeito colateral minúsculo

    Perto do prazer que é se permitir ser enganado

    Acredito que acostuma, mesmo que ainda não tenha me acostumado.

    Comecei a experimentar algo novo,

    Boatos

    Não só minha cabeça enlouqueceu,

    A dos outros também,

    De tudo que fui capaz de ouvir

    Escolhi a resposta que não era verdadeira,

    Pouco a pouco, a fantasia que eu criei

    Dilacera o menor resquício de paixão descuidada de mente adolescente

    Se bem que acho que usei demais,

    Tenho transbordado,

    Chorei na última noite, pretendo nessa chorar também

    Aos poucos vou ficando mais vazio

    Vazio é um espaço que a tristeza não mede esforços para ocupar

    Das vezes que veio, sempre trouxe o amor

    Acho que fiquei doente outra vez

    Coração, há de existir órgão mais estúpido.

    —H.

    Céu Azul

    Embora nunca houvesse céu tão azul quanto o de hoje

    Ainda se houvesse, seria disperdício

    Pensei que o amor se resumia a todas as fases da vida

    E que, se recebesse tal conselho, ele seria.

    Silenciei todas as vozes dentro de mim

    Mas o céu, que era só o de hoje

    Impedia a vontade de esquecer

    Sei que estão felizes no lado de fora, sei que eu também poderia

    Mas como pássaros que voam, vocês, voaram

    E eu, como pássaro que já experimentou da tempestade, preferia a gaiola.

    De todas as coisas mais bonitas, o céu se destacava

    Insegurança minha não aproveitar

    Insegurança minha não dizer o que devia

    Talvez a mudança realmente chegasse, talvez houvesse perdão

    É num dia como esse, de céu azul safira que é a cor dos teus olhos

    Em que pode ser esquecido o erro, e, recomeçado aquele dia de céu azul em que terminou

    Se há chance, é dia de céu azul, eu mesmo sabia

    Nem um dia terá o céu tão azul quanto hoje

    Azul é cor maligna, bela e depressiva; poética

    Tenho me afogado em véus azuis muito mais profundos, muito menos liberto

    Voa nesse céu azul, que um dia alcanço.

    —H.

    Clima de fim de tarde

    "Tá um clima tão..."

    Venho buscando palavras para colocá-lo no papel;

    Indescritível, única que achei.

    Inexplicável, incompreensível, inacessível

    Sobretudo antônimos, confuso

    Provoca a sensação de um presenciar,

    Queria ter o feito mais

    Queria não ter apagado o fogo com lágrimas de sinceridade

    Querer é viver de um sopro, não do gosto do líquido ácido no qual costumava assassinar minha alma.

    Tenho um vazio que é o crime mais grave de se cometer, consenti-lo é crime vezes mais grave

    Foi num desses finais de tarde,

    Tragado apenas pelo silêncio, deitado sobre um céu decadente que pouco havia luz

    Em que o consenti.

    Amargura é perfeição,

    Sair dela é renunciar romances de um dia triste e sem fim

    Viver nela é sofrer as margens de uma felicidade inalcançável

    —H.

    Se eu fosse eu

    Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase “se eu fosse eu”, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor SENTIR. 

    E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser movida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida. 

    Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei. 

    Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro. 

    “Se eu fosse eu” parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. 

    No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teriamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos emfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais

    Clarice Lispector